Descobri que a poesia me deixa com paralalia (desaparecimento permanente ou temporário da fala).
“O acto poético é o empenho total do ser para a sua revelação. Este fogo de conhecimento, que é também fogo de amor, em que o poeta se exalta e consome é a sua moral. E não há outra.Nesse mergulho do homem nas suas águas mais silenciadas, o que vem à tona é tanto uma singularidade como uma pluralidade (...) é impossível destrinçar o que é da razão e o que é do instinto, o que é do mundo e o que é da terra. Nunca nenhum dualismo serviu bem o poeta. Esse “pastor do Ser”, na tão bela expressão de Heidegger, é, como nenhum outro homem, nostálgico de uma antiga unidade (...) Essa revelação do poeta, e dos outros com ele, essa descida ao coração da alma, de que Heraclito encontrou a fórmula, essa coragem de mostrar o que achou no caminho – e nunca é fácil, nem alegre, nem irresponsável revelar o que se encontrou ou sonhou nas galerias da alma – é o que chamarei agora dignidade do poeta, e com ele a do homem.
(...) Porque o poeta vai nascendo com o poema para a mais efémera das existências; são as palavras, a luz e o calor que de umas às outras se comunicam, que o vão por sua vez criando a ele, acabando por lhe impor a mais dura das leis – a de que se extinga para dar lugar à fulguração do poema, a de que deixe de ser para que o poema seja, e dure, e o seu fogo se comunique ao coração dos homens.
(...) Porque a palavra poética visa a subversão – se assim não fora, que sentido teria esta música onde o homem morre sílaba a sílaba para que outro homem nasça?(...) "
Eugénio de Andrade. Poesia e prosa.
Os dois últimos parágrafos parecem ter a fatalidade de um terrível sortilégio. Criar poesia é então a mais dura das sinas, o abdicar da vida para dar lugar à obra que só servirá os outros. Uma paixão de Cristo gota a sílaba? Será verdade? Ao fim de quantos poemas estará morto o poeta?
A ideia da criação poética como um esvaziamento da vida aparece também em autores como Herman Hesse (viagem ao país da manhã) ou José Régio (três ensaios sobre arte). Será uma proposição verdadeira? Como fundamentar esta asserção? A ser verdadeira a mutilação da vida pela arte, estranho como lhes terá sido possível escrever roubando à vida. Até onde terão chegado?
Talvez aqui – “ palavra inaugural, óvulo e matriz de todas as iluminações e de todas as metamorfoses” (Albano Martins. Do mundo grego outro sol)
Também encontrei esta inequação
A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível.
O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais.
Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.
Sophia de Mello Breyner Andresen
( como se resolverão inequações com “mas”?)
Olhem, e mais isto:
[Neste livro são relatadas uma série de conferências proferidas na Universidade de Princeton entre 1997/98. Coetzee, romancista, propõe a sua conferência em forma de ficção. Cria um evento académico (acaba por ser uma conferência ficcionada, dentro de uma conferência ), e a convidada que expõe as duas comunicações é também uma romancista, que escolhe como tema, não a literatura, mas sim o abuso dos humanos para com os animais ]
“ A poesia não faz nada acontecer, escreveu W. H. Auden. Mas é verdade? E deve ser verdade? O que tem a poesia a oferecer, o que tem a linguagem a oferecer, com excepção da arte da palavra? Nestas duas elegantes comunicações, pensámos que John Coetzee estava a falar de animais. Será possível que, durante todo o tempo, ele estivesse realmente a perguntar: - Qual o valor da literatura? “
J. M. Coetzee. As vidas dos animais
Já aqui disse que para mim as palavras não são exactamente nada, e por não serem exactas são tão fascinantes e inquietas como as pessoas.
Monday, February 13, 2006
Monday, January 09, 2006
Para 2006
Peço uma montanha que se oiça degelar
com torrentes a pulsar
os peixes dancem no ar
e as flores rebentem devagar
a cheirar
a beijar
as folhas acordadas
Que não parem sossegadas
as folhas todas pintadas
caminhem enfeitiçadas
iridescentes e enluaradas
Que o som se propague nos pulsares da torrente
as estrelas dancem na terra nascente
e a montanha rebente devagar no ar
deixando cascatas a flutuar
Peço uma montanha que se oiça degelar
com torrentes a pulsar
os peixes dancem no ar
e as flores rebentem devagar
a cheirar
a beijar
as folhas acordadas
Que não parem sossegadas
as folhas todas pintadas
caminhem enfeitiçadas
iridescentes e enluaradas
Que o som se propague nos pulsares da torrente
as estrelas dancem na terra nascente
e a montanha rebente devagar no ar
deixando cascatas a flutuar
Friday, December 30, 2005
Thursday, December 22, 2005
E no princípio era o verbo ...
"Enquanto os livros estão escritos em palavras de comprimento variável, utilizando vinte e seis letras, os genomas estão inteiramente escritos com palavras de três letras, utilizando apenas quatro letras: A, C, G e T ( que significam adenina, citosina, guanina e timina). E em vez de estarem escritos em páginas planas, estão escritos em longas cadeias de açucar e fosfato, chamadas moléculas de ADN, às quais as bases estão ligadas como escadas de mão laterais. Cada cromossoma é um par de moléculas ( muito) longas . Colocados de extremidade a extremidade e estendidos a direito, todos os cromossomas de uma única célula teriam um comprimento de cerca de 183 cm. Todos os cromossomas de todas as células de um corpo cobririam 160 mil milhões de quilómetros (...) A ideia do genoma como um livro não é, estritamente falando, sequer uma metáfora. É literalmente verdade. Um livro é um pedaço de informação digital, escrito de uma forma linear, unidimensional e unidireccional e definido por um código que transcreve um pequeno alfabeto de símbolos num grande léxico de significados através da ordem dos seus agrupamentos. Assim é o genoma."
Genoma. Matt Ridley, Gradiva
"Enquanto os livros estão escritos em palavras de comprimento variável, utilizando vinte e seis letras, os genomas estão inteiramente escritos com palavras de três letras, utilizando apenas quatro letras: A, C, G e T ( que significam adenina, citosina, guanina e timina). E em vez de estarem escritos em páginas planas, estão escritos em longas cadeias de açucar e fosfato, chamadas moléculas de ADN, às quais as bases estão ligadas como escadas de mão laterais. Cada cromossoma é um par de moléculas ( muito) longas . Colocados de extremidade a extremidade e estendidos a direito, todos os cromossomas de uma única célula teriam um comprimento de cerca de 183 cm. Todos os cromossomas de todas as células de um corpo cobririam 160 mil milhões de quilómetros (...) A ideia do genoma como um livro não é, estritamente falando, sequer uma metáfora. É literalmente verdade. Um livro é um pedaço de informação digital, escrito de uma forma linear, unidimensional e unidireccional e definido por um código que transcreve um pequeno alfabeto de símbolos num grande léxico de significados através da ordem dos seus agrupamentos. Assim é o genoma."
Genoma. Matt Ridley, Gradiva
Tuesday, December 20, 2005
Já estamos tão perto do Natal. Há tanto a fazer, a preparar. E eu gosto de cozinhar, de sentir o cheiro mais cheio. Cozinhar o Natal materializa memórias de paz.
Os meus filhos também preparam o Natal. Ensaiam canções, pintam Jesus bebé, recortam estrelas, e as duas meninas, com as primas, experimentam dançar como os anjos.
Faltam as prendas, ainda não comprei nenhuma. Vou passar estes dias nos centros comerciais à procura do que não está lá.
Os meus filhos também preparam o Natal. Ensaiam canções, pintam Jesus bebé, recortam estrelas, e as duas meninas, com as primas, experimentam dançar como os anjos.
Faltam as prendas, ainda não comprei nenhuma. Vou passar estes dias nos centros comerciais à procura do que não está lá.
Friday, December 16, 2005
A ciência do século XVII, até ao primeiro quarto do século XX , chegou a uma visão do mundo em que os acontecimentos seriam perfeitamente determinísticos, ou seja – o que acontece tem uma causa. (A física quântica com a interpretação mais correcta dos quanta, verificou que o determinismo não pode ser completo) .
Julgo que a ciência não tem a verdade, observa efeitos e procura as causas por exclusão. Mas cabe numa parte. É um retalho verosímel.
A justiça nunca é um retalho verosímel, precisa do todo.
O todo é ordenado? As injustiças serão partes desordenadas? As leis são ordens? As agraphoi nomoi – leis naturais, não escritas -, impulso de filantropia e solidariedade estarão presentes nos Homens? Sempre?
E a liberdade parece-me ainda mais complicada, com a sua dicotomia – autonomia/responsabilidade.
A autonomia, decidir e agir. A responsabilidade, os efeitos nos outros envolvidos que muitas vezes não têm responsabilidade na causa da decisão.
Compatibilizar liberdades , não será esse um dos maiores mistérios guardados no Universo?
Julgo que a ciência não tem a verdade, observa efeitos e procura as causas por exclusão. Mas cabe numa parte. É um retalho verosímel.
A justiça nunca é um retalho verosímel, precisa do todo.
O todo é ordenado? As injustiças serão partes desordenadas? As leis são ordens? As agraphoi nomoi – leis naturais, não escritas -, impulso de filantropia e solidariedade estarão presentes nos Homens? Sempre?
E a liberdade parece-me ainda mais complicada, com a sua dicotomia – autonomia/responsabilidade.
A autonomia, decidir e agir. A responsabilidade, os efeitos nos outros envolvidos que muitas vezes não têm responsabilidade na causa da decisão.
Compatibilizar liberdades , não será esse um dos maiores mistérios guardados no Universo?
Wednesday, December 14, 2005
Tenho andado doente, não gosto de estar doente. A boca sabe mal, o corpo assusta-se e treme.
Quando me doi a cabeça gosto de ler.
Então li.
Do Edgar Poe: O corvo e outros poemas, tradução de Fernando Pessoa.
Nas últimas páginas trazia uma análise à génese de um poema, feita e feito (a análise e o poema) pelo próprio Poe, à qual chamou - A filosofia da composição.
" (...) e visto que o interesse de uma tal análise ou construção, que considerei como um desideratum em literatura, é completamente independente de qualquer interesse real suposto na coisa analisada, não me acusarão de faltar às conveniências, se desvendar o modus operandi graças ao qual pude construir uma das minhas próprias obras (...) a minha intenção é demonstrar que nenhum ponto da composição pode ser atribuído ao acaso ou à intuição, e que a obra avançou, passo a passo, para a solução, com a precisão e a lógica rigorosa de um problema matemático (...)"
Já não me doi a cabeça.
Então escrevi.
Prova o mar. Que sabor doce e quente tem?
(são rabanadas? ou aletria?
sabe-te a prosa ou poesia?)
É sal atirado pela Terra mãe.
Sente. Estátua metrificada?
(mexes na tinta? pintas com preto?
nadas frases, flutuas sonetos?)
Mar é pai de toda a vida criada.
Quando me doi a cabeça gosto de ler.
Então li.
Do Edgar Poe: O corvo e outros poemas, tradução de Fernando Pessoa.
Nas últimas páginas trazia uma análise à génese de um poema, feita e feito (a análise e o poema) pelo próprio Poe, à qual chamou - A filosofia da composição.
" (...) e visto que o interesse de uma tal análise ou construção, que considerei como um desideratum em literatura, é completamente independente de qualquer interesse real suposto na coisa analisada, não me acusarão de faltar às conveniências, se desvendar o modus operandi graças ao qual pude construir uma das minhas próprias obras (...) a minha intenção é demonstrar que nenhum ponto da composição pode ser atribuído ao acaso ou à intuição, e que a obra avançou, passo a passo, para a solução, com a precisão e a lógica rigorosa de um problema matemático (...)"
Já não me doi a cabeça.
Então escrevi.
Prova o mar. Que sabor doce e quente tem?
(são rabanadas? ou aletria?
sabe-te a prosa ou poesia?)
É sal atirado pela Terra mãe.
Sente. Estátua metrificada?
(mexes na tinta? pintas com preto?
nadas frases, flutuas sonetos?)
Mar é pai de toda a vida criada.
Wednesday, December 07, 2005
Fiz girar a roda do leme. Ofereci a proa ao vento. As velas por um momento tornaram-se bambas, depois, sob o impulso do stretto, vibraram num movimento inconcebível.
As vagas inundaram o castelo de proa. A meia-nau, sinto violentos esticões provocados pelas correntes das âncoras.
O vento fala-me das sonoridades impressas no ar.
Em termos náuticos, o caminho seguido numa viagem por mar é chamado de derrota.
Este, ali em cima, ancorado, é a minha derrota.
As vagas inundaram o castelo de proa. A meia-nau, sinto violentos esticões provocados pelas correntes das âncoras.
O vento fala-me das sonoridades impressas no ar.
Em termos náuticos, o caminho seguido numa viagem por mar é chamado de derrota.
Este, ali em cima, ancorado, é a minha derrota.
Monday, December 05, 2005
Ontem um familiar meu foi preso. Estranho, o que me contaram foi que não esteve presente em julgamento; faltou como testemunha. Apesar de ter justificado a falta, esta não chegou ao juiz.
Hoje, agora, já está em tribunal. Ainda não sei nada. Imagino que tenha tido uma noite que nunca mais vai passar.
Já está em casa, foi um engano do tribunal, a juíza aconselhou-o a processar o tribunal.
( agora sei modificar isto, posso actualizar a notícia)
Hoje, agora, já está em tribunal. Ainda não sei nada. Imagino que tenha tido uma noite que nunca mais vai passar.
Já está em casa, foi um engano do tribunal, a juíza aconselhou-o a processar o tribunal.
( agora sei modificar isto, posso actualizar a notícia)
Sunday, December 04, 2005
respiração
Inspiro e recebo. Expiro, dou e preciso. Inspiro e reencontro. Reconcilio-me.
O aparelho respiratório é um tubo que começa no nariz, continua pela faringe, a laringe, a traqueia e os brônquios. Alarga-se numa maior superfície ao nível dos alvéolos pulmonares, e aí permite o intercâmbio de gases com o sangue. Esse intercâmbio de oxigénio e dióxido de carbono recebe o nome de respiração. É claro que nada disto é novidade. É também senso comum constatar que o sistema respiratório e o sistema circulatório trabalham em estreita colaboração. Todos sabemos que um choque emotivo estrangula a respiração ainda antes de se sentir o aceleramento do coração. Pelo contrário, quando estamos tranquilos a respiração é naturalmente lenta.
Nas nossas heranças ancestrais, o ritmo respiratório controlado e constante (muitas vezes acompanhado de movimento balanceado), faz parte de rituais de oração, de procura de essência espiritual, energia única.
Mais curioso é saber que há quem associe o ritmo respiratório ao comportamento. Há quem afirme que o ritmo respiratório condiciona e orienta o comportamento de massas. Que os hinos, marchas ou slogans impõem ritmos colectivos que transpõem o individual.
O aparelho respiratório é um tubo que começa no nariz, continua pela faringe, a laringe, a traqueia e os brônquios. Alarga-se numa maior superfície ao nível dos alvéolos pulmonares, e aí permite o intercâmbio de gases com o sangue. Esse intercâmbio de oxigénio e dióxido de carbono recebe o nome de respiração. É claro que nada disto é novidade. É também senso comum constatar que o sistema respiratório e o sistema circulatório trabalham em estreita colaboração. Todos sabemos que um choque emotivo estrangula a respiração ainda antes de se sentir o aceleramento do coração. Pelo contrário, quando estamos tranquilos a respiração é naturalmente lenta.
Nas nossas heranças ancestrais, o ritmo respiratório controlado e constante (muitas vezes acompanhado de movimento balanceado), faz parte de rituais de oração, de procura de essência espiritual, energia única.
Mais curioso é saber que há quem associe o ritmo respiratório ao comportamento. Há quem afirme que o ritmo respiratório condiciona e orienta o comportamento de massas. Que os hinos, marchas ou slogans impõem ritmos colectivos que transpõem o individual.
Wednesday, November 30, 2005
E os setenta anos da morte de Fernando Pessoa
A morte acompanha-nos sempre, a morte é o que a vida recusa.
A vida é muito. Cresce na morte.
A morte é a vida a transformar-se.
Assim a vejo eu.
O Fernando Pessoa, daquilo que o conheço escrito, parece ter visto exactamente o oposto - a vida é a morte a transformar-se.
"(...) Pela morte vivemos, porque só somos hoje porque morremos ontem. Pela morte esperamos, porque só podemos crer em amanhã pela confiança na morte de hoje. Pela Morte vivemos quando sonhamos, porque sonhar é negar a vida. Pela morte morremos quando vivemos, porque viver é negar a eternidade! (...)"
É tido como sabido que Pessoa escreveu com o fingimento da sinceridade.
Como viveu e morreu não vi.
A morte acompanha-nos sempre, a morte é o que a vida recusa.
A vida é muito. Cresce na morte.
A morte é a vida a transformar-se.
Assim a vejo eu.
O Fernando Pessoa, daquilo que o conheço escrito, parece ter visto exactamente o oposto - a vida é a morte a transformar-se.
"(...) Pela morte vivemos, porque só somos hoje porque morremos ontem. Pela morte esperamos, porque só podemos crer em amanhã pela confiança na morte de hoje. Pela Morte vivemos quando sonhamos, porque sonhar é negar a vida. Pela morte morremos quando vivemos, porque viver é negar a eternidade! (...)"
É tido como sabido que Pessoa escreveu com o fingimento da sinceridade.
Como viveu e morreu não vi.
Monday, November 28, 2005
Mareorama
O Mar aqui, em Novembro, de manhã tem muitas cores. Não sei porquê.
Ao fim da manhã, gradualmente, as matizes intrometem-se, e vistas daqui, aproximam-se de um tom monocromático.
Hoje, como em muitos fins de semana, veêm-se velas brancas. Perfilam-se numa simetria sossegada.
Ao fim da tarde as nuvens descem ao mar e recebem o Sol.
O Mar aqui, em Novembro, de manhã tem muitas cores. Não sei porquê.
Ao fim da manhã, gradualmente, as matizes intrometem-se, e vistas daqui, aproximam-se de um tom monocromático.
Hoje, como em muitos fins de semana, veêm-se velas brancas. Perfilam-se numa simetria sossegada.
Ao fim da tarde as nuvens descem ao mar e recebem o Sol.
Friday, November 25, 2005
O neutrino é uma partícula neutra, e parece que atravessa a matéria sem chocar com nada. São uma imensidão deles; em cada cm quadrado passam 60 mil milhões por cada segundo. Viajam a uma velocidade um pouco menor que a da luz. A sua massa é ainda desconhecida (julgo eu), mas é com certeza um "peso pluma".
Foi "inventado" em 1930 por Wolfgang Pauli. Criou-se para fundamentar a lei da conservação de energia.
É prodigioso pensar que são emitidos em quantidades "astronómicas" pelo Sol e pelas estrelas, e que percorrem o Universo em todos os sentidos. Atravessam de lado a lado um planeta ou um de nós sem chocar com nenhum átomo.
Ontem pensei neles como partículas livres, mas, sem chocar com nada, não deve ser liberdade.O mais provável é ser uma partícula solitária.
Só agora fui buscar o resultado das análises. Há uns meses caiu-me muito cabelo, mais de metade. Agora cresceu tanto que não se vê a risca, estão a ver? Aquele risco no cabelo, quando nos penteamos. Nas análises está tudo nos parâmetros normais, a causa é desconhecida. Por outro lado emagreci cinco quilos, mas a causa é reconhecida. É o Outono, fico sem fome.
Um bom dia!
Foi "inventado" em 1930 por Wolfgang Pauli. Criou-se para fundamentar a lei da conservação de energia.
É prodigioso pensar que são emitidos em quantidades "astronómicas" pelo Sol e pelas estrelas, e que percorrem o Universo em todos os sentidos. Atravessam de lado a lado um planeta ou um de nós sem chocar com nenhum átomo.
Ontem pensei neles como partículas livres, mas, sem chocar com nada, não deve ser liberdade.O mais provável é ser uma partícula solitária.
Só agora fui buscar o resultado das análises. Há uns meses caiu-me muito cabelo, mais de metade. Agora cresceu tanto que não se vê a risca, estão a ver? Aquele risco no cabelo, quando nos penteamos. Nas análises está tudo nos parâmetros normais, a causa é desconhecida. Por outro lado emagreci cinco quilos, mas a causa é reconhecida. É o Outono, fico sem fome.
Um bom dia!
Thursday, November 24, 2005
Sunday, November 20, 2005
Aqui descobri palavras. Penso por isso mais, nestes “sons” articulados. Expressões de pensamento, dialectos de significação.
Tenho andado a ler aos meus filhos a “Alice” de Lewis Carroll.
“- Quando uso uma palavra ela significa aquilo que eu quero que signifique...nem mais nem menos.- A questão é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes, ponderou Alice. A questão – replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso.”
A legislação, a lei, é feita de palavras. Apesar de toda a jurisprudência e doutrina, muitas vezes, quem mais manda decide o significado das palavras.
Tenho andado a ler aos meus filhos a “Alice” de Lewis Carroll.
“- Quando uso uma palavra ela significa aquilo que eu quero que signifique...nem mais nem menos.- A questão é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem coisas diferentes, ponderou Alice. A questão – replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda. É só isso.”
A legislação, a lei, é feita de palavras. Apesar de toda a jurisprudência e doutrina, muitas vezes, quem mais manda decide o significado das palavras.
Friday, November 18, 2005
Ontem fui ao teatro. Um dos meus irmãos é actor. Lá em casa, algumas vezes fiquei de castigo por ele ter nascido encantactor. Todos sabiam lá na casa , mas ele é que não sabia, por isso ultrapassava-se. Chorava de mansinho, num crescendo que caía no chão. Até eu acreditava que pudessem ter sido duendes a comer os bombons que tinham desaparecido da caixa debaixo da cama dos pais. O embrulho todo rasgado; alguém tinha que ficar de castigo. E os bombons eram para a dona Aida, a condessa. Não sei se era condessa, baronesa, ou marquesa, mas vivia num palacete que tinha uma sala, que tinha um piano, que tinha uma cauda. Quando a visitávamos, encontravámo-la sempre no jardim a podar as rosas. Lanchávamos no jardim e cantávamos “ainsi font, font, font...”. Comíamos scones com doce de morango, bebíamos chá, e como numa história da Condessa de Ségur, éramos uns amores de crianças durante duas horas.
O teatro, ontem.
A peça não me disse nada, por isso não tenho nada a dizer.
O meu irmão ultrapassa-se agora em palco. Já sabe que é actor, e continua encantador.
O teatro, ontem.
A peça não me disse nada, por isso não tenho nada a dizer.
O meu irmão ultrapassa-se agora em palco. Já sabe que é actor, e continua encantador.
Thursday, November 17, 2005
Aqui, e talvez ali e acolá, parece ser importante saber se aquilo que se faz profissionalmente é reconhecidamente e publicamente mensurável, qualificável, "valorável", "catalogável", "quantificável", ..ável..vel..el
Eu não faço nada que possa ser reconhecidamente ou publicamente mensurável, qualificável, "valorável", "catalogável", "quantificável",...ável...vel...el
Parece-me que aqui , como acolá ou ali, esclarecer isto, possa ser "importantável"
Eu não faço nada que possa ser reconhecidamente ou publicamente mensurável, qualificável, "valorável", "catalogável", "quantificável",...ável...vel...el
Parece-me que aqui , como acolá ou ali, esclarecer isto, possa ser "importantável"
Tuesday, November 15, 2005
Uma ciência que gosto muito é a química. De alguma maneira sempre a associei a poções mágicas , a alquimia, à transformação.
Não deixa de ser curioso que os alquimistas possam ter estado tão perto da realidade ao acreditarem que podiam transformar uma substância numa outra. Desconhecendo o que são os elementos, misturavam e aqueciam substâncias. Faziam química ao sintetizar e decompor, mas não podiam modificar a estrutura que define um elemento - a composição do seu núcleo. A sua concepção da matéria era falsa. Há no entanto uma presciência na alquimia.
Não deixa de ser curioso que os alquimistas possam ter estado tão perto da realidade ao acreditarem que podiam transformar uma substância numa outra. Desconhecendo o que são os elementos, misturavam e aqueciam substâncias. Faziam química ao sintetizar e decompor, mas não podiam modificar a estrutura que define um elemento - a composição do seu núcleo. A sua concepção da matéria era falsa. Há no entanto uma presciência na alquimia.
Monday, November 14, 2005
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