Thursday, August 16, 2007
Tuesday, July 17, 2007
Saturday, April 07, 2007
“O problema é que temos de encontrar as palavras primas, em sentido matemático; as que só são divisíveis por si mesmas e pela unidade e trabalhar com elas. Estou a ser claro?
- Não muito, o que seria uma palavra prima?
- As palavras essenciais. ”
À Maria Luisa Blanco, conversando com o Lobo Antunes, bem lhe poderia ter ocorrido uma outra pergunta que não – ‘o que seria uma palavra prima? ’- mas sim – qual é a unidade que permite trabalhar com as palavras?
Usava as palavras como quem ouve mas tem um fim.
O meu pai disse-me: - Acredita, não há mais nada. Eu que vim até aqui digo-te, não há mais nada.
Há qualquer coisa em nós de palavra, de incontável. Culpo-as de muito.
Monday, April 02, 2007
Sunday, April 01, 2007
Wednesday, March 07, 2007
Andando o senhor padre-cura de lugar em lugar, em cima da cabeça de Virgílio foi parar. – Para que mentes tu? (pergunto eu a Virgílio, que comecei a melopeia) – E onde estavas tu quando eu menti? ( este é Virgílio a perguntar) – Estava em cima da cabeça de Dante. Cantilena-se outra vez. Andando o senhor padre cura de lugar em lugar, em cima da cabeça de Dante Alighieri foi parar. Agora quem pergunta é Dante, a Virgílio. – Para que mentes tu? – E onde estavas tu quando eu menti? – Estava em cima da cabeça da Dido & Aeneas & Vénus & Mercúrio & Sasha & Guests & etecétera . Também jogavam a esta roda? A estes cantos lúdicos, sentadinhos no chão?
A coreógrafa intentou “unir organicamente” o coro e os bailarinos. Quis também que a música a palavra e a dança se unissem, sem que nenhuma delas tomasse mais espaço.
Gostei da música e na voz, talvez por estar ali em cima. As entradas na água não estavam com as cordas, mas lá dentro era muito bonito. E dançar com silêncio é muito suspenso, na água podemos saber quando vão subir para respirar.
Agora escrevo muitos disparates como se jogasse à cantilena.
Saturday, February 17, 2007
Wednesday, January 31, 2007
Friday, January 05, 2007
há força partida
e escrevesse
"Mas agora perguntar-me-ás como te será possível destruir a consciência nua do teu próprio ser (...)
A capacidade de que falo nada mais é do que uma profunda e intensa dor espiritual (...)
Todos têm as suas mágoas, mas quem sente maior desgosto é quem está consciente de existir. Qualquer outro sofrimento, comparado com a consciência de existir, é como uma brincadeira de crianças (...)
E quem nunca conheceu esta dor, bem se pode condoer deveras, pois ainda não experimentou a dor perfeita."
A Nuvem do Não-Saber (anónimo do séc. XIV)
Perfeita?!
A Dona Tristeza é consciência de existir, e é possibilidade de destruir o ser consciente que existe.
"Uma tal dor capacita a alma para receber aquela alegria em que o homem perde totalmente a consciência do seu próprio ser"
(idem)
Ora, em que é que consciência ficamos?
A ignorância, a tristeza ao encontrar, a alegria de a perder
Como quando
há força partida
e escrevesse
perfeita a dor
como se
a força partida
tristeza
escrevesse
poetas
poemas
do amor
partidos
como se perdidos
da perfeita dor
Wednesday, December 13, 2006
Tuesday, December 12, 2006
" Escuto estes desenhos como a um homem do campo que diz, sem querer, coisas mais importantes do que o que está a contar, e que põe tudo à mostra sem dar por isso. Através destes desenhos sigo grafologicamente o meu instinto à espera da minha vontade, - a minha querida ignorância a aquecer ao sol e a transformar-se na minha vez cá na terra."
Almada Negreiros
Acho que o homem do campo diz coisas que conhece; coisas que o conhecem a ele.
A terra espera pela vontade do homem do campo e o homem do campo espera pela vontade da terra. São coisas importantes, as vontades; a nossa vez de existir.
Wednesday, November 29, 2006
Conheci uma tristeza diferente, não sei dizer como, dobrada, dobrada em muitos.
Um quadrado, quatro triângulos dobrados atrás, fica outro quadrado e são quatro triângulos unidos num ponto, num centro. Quatro pirâmides; quantos queres? Um quatro e dezasseis.
É mais ou menos assim. Um "quantos queres" de tristeza.
Dizer que não escrevo é mentira. Escrevi uma peça, teatro. De encomenda.
Como não sabia nada, imaginei tudo. Os cenários e os adereços, as imagens para o ciclorama, os roteiros de luz, a sonoplastia e as paisagens sonoras. As entradas em cena, as altas e baixas do palco, as telas e os telões. Ficou um balão, colorida e vazia.
Se vier a ser encenada estarei lá a aprender a sério.
Não fiz nenhum curso de escrita criativa ou dramaturgia.
Continuo sem saber o possível na escrita, mas faz-me caminhar, ao acaso, conduz-me.
Hoje li no diário digital do sapo um artigo sobre os pulsares da torrente
"Astrónomos europeus descobriram um feixe modulado de muito alta energia vindo do espaço que varre a Terra com a regularidade de um farol, com uma intensidade 100.000 vezes superior ao mais potente até agora observado (...) A modulação do sinal das «pulsars» está compreendida entre alguns segundos e alguns milissegundos. Em contraste, a do sinal emitido pelo LS 5039 é de 3,9 dias. A energia libertada é também invulgar e os cientistas estão ainda na fase das hipóteses para explicar a sua origem."
(não sei pôr a ligação, é :http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=60&id_news=252445)
Desdobrou-me a tristeza, sei lá eu porquê.
Wednesday, October 18, 2006
Sunday, October 08, 2006
Nestas duas últimas semanas transformei-me em formiga de biblioteca; passo as horas que posso lendo e escrevendo.
Leio muito. Na verdade irrita-me esta dificuldade que tenho em entender o possível na escrita. Semiótica, filosofia da linguagem, prosódia, signos e grafos, ícones, símbolos, significados, proposições e inferências, falácias lógicas.
Neste momento leio Blanchot, mas já passei por, Peirce, Eco; Derrida, Foucault que fica sempre bem e até rimou.
Blanchot e o movimento incessante da escrita. "...comme si écrire, le mouvement incessant d'écrire, nous libérait du jeu de l'écriture."
Seria um exercício interessante fazer um paralelo entre os jogos da linguagem e a "moderna" teoria dos jogos.
Em "investigações filosóficas" WIttgenstein diz-nos que o significado das palavras é independente daquilo a que se referem. O significado depende de como são usadas. A linguagem é um tipo de jogo em que as palavras são as peças de um conjunto de regras ( convenções linguísticas)
A teoria dos jogos estuda decisões que são tomadas por vários jogadores que interagem entre si num determinado meio. A estratégia na escolha de comportamentos depende da escolha de outros indivíduos. Não será completamente inverosímil considerar cada palavra como indivíduo, individual e em crescimento; no entanto atribuir decisão ou escolha de comportamento à palavra é, do meu ponto de vista, disparatado. A palavra cresce em significados, tem comportamento diferenciado quando interage com outra ou outras palavras, mas não escolhe. Quem escolhe é quem fala ou escreve.
Em princípio a linguagem das palavras deveria centrar-se no jogo cooperativo. A solução cooperativa é aquela que permite encontrar o par de ganhos que garanta a cada uma das partes ao menos aquilo que poderia assegurar jogando sozinhos. Mesmo falando para o boneco se pode assegurar ao menos aquilo que ganhamos a falar sozinhos. A não ser que afinal o boneco afinal ouça. Provavelmente ouvirá não o que foi dito, mas sim o que ouviu. Ganha-se alguma coisa ouvindo o que não foi dito? Parece que sim. Perde-se com as palavras? Provavelmente, que isto está tão confuso que até eu dou o dito por ouvido.
A que tipos de jogos se referia Wittgenstein?
Há os simétricos e os assimétricos, os de soma zero e os de soma diferente de zero, os simultâneos e os sequenciais, os de informação perfeita e os de informação imperfeita, os infinitamente longos.
E já agora
- Imagine um diálogo entre o Capitão gancho e o Peter Pan; quais seriam os tipos de jogo adoptados? Riscar o que não interessa (o infinitamente longo por não ter par é verdadeiro por defeito)
- Quais os aspectos paradoxais que atestam a ambiguidade da opinião pública?
- Porque é que quanto mais escrevo mais sarcástica me torno?
"...comme si écrire,le mouvement incessant d'écrire, nous libérait du jeu de l'écriture."
Blanchot e o movimento incessante como estratégia de libertação do próprio jogo.
" Par le livre, l'inquiétude d'écrire - l'énergie - cherche à se reposer dans la faveur de l'ouevre, mais l'absense d'ouevre l'appelle toujours dès l'abord à répondre au détour du dehors, lá où ce qui s'affirme ne trouve plus sa mesure dans un rapport d'unité"
(L'entretien infini)
Thursday, September 14, 2006
Saturday, September 09, 2006
“Driving Miss Daisy” estreou em Nova Iorque em 1987 e esteve três anos em cena, ganhando o prémio pulitzer de 88. Em 989 é feita a adaptação ao cinema pelo próprio autor – Alfred Uhry. Valeu-lhe o Oscar da “melhor adaptação”.
A tradução feita para Eunice Muñoz, Guilherme Filipe e Thiago Justino, é da responsabilidade de António Barahona. Com a minha escassa cultura, não o conhecia. Fiquei a saber que é poeta.
Não pretendo fazer aqui uma crítica ao espectáculo, aos actores, ao encenador ou aos técnicos. A um crítico, julgo eu, cabe “meter-se” dentro do criticado e tentar perceber porque escolheu ele fazer assim. Só o poderá fazer se conhecer a técnica utilizada na produção da obra. Estou a falar do crítico e não de quem opina. Acho muito bem que se opine, e que se critique.
Posso fazer uma crítica ao público, eu estava metida na plateia.
O público é parte de um espectáculo. Aquele público ontem era de estreia, ou seja, convites e muita gente do meio (fui com o meu irmão actor). Esperava eu que acompanhassem as tensões e descontracções do texto, os sentidos de humor claros e escuros; as modificações nas frases, que repetidas ao longo dos vinte e cinco anos em que decorre a acção, deixam de ter o sabor da ironia incisiva e graduam até ao hábito envelhecido, enriquecido.
As gargalhadas do público não graduaram; não sei porque escolheram rir assim.
Nunca tinha visto a Eunice Muñoz ao vivo. O seu gesto é extraordinário e oportuno. Os pés, as mãos, dizem as falas. Se as perde por vezes, é só na voz; o seu corpo mostra que não se perdeu.
O seu sorriso no fim mostrou o que todos ganhámos.
[Sempre que releio o que escrevo encontro “novas interpretações”; não faz sentido apagar o que escrevo, ou modificar de cada vez que cá venho. Ao ler isto, pareceu-me que estava a fazer uma critica velada ao texto da peça, e sendo assim, a armar-me em espertinha. Como se conhecesse a técnica utilizada na elaboração daquele, ou de outros textos. Não conheço. A fazer fé na Maria: “quem escreve escreve-se”, devo ter pretensões à esperteza.]
Monday, September 04, 2006
E não deve haver som igual em cada onda. Nenhuma se levanta da mesma forma. Começa aí, como se dançar emitisse som sustentado. Nenhuma prepara o ataque com a mesma força; não tem repouso o silêncio.
A cor está pintada, pouco dizível. É aproximada ao brilho de penas ónix, azuladas pela lua.
Sunday, August 27, 2006
Vou tentar arranjar.
Salguei a neve
de um dia ao passado
gelado
Não sei o lugar
mas estava vazio
caiu aberto
esculpiu um rio
e é tão comprido
traça tão cheio
enche perdido
cresce p’lo meio
Chamo-lhe rio, pois
não sei o lugar
da neve sem frio
que é fonte de mar
[Adenda- apêndice.
Ficou pior. A répétition parece:
- Patáta patáka patica pató
e trálalé troleli trololo lo]




