Monday, December 15, 2008

Os componentes são imiscíveis mas é liga supercondutora (a corrente persiste indefinidamente), à temperatura ambiente.
Estados estranhos da matéria.


Wednesday, December 10, 2008

"A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. "

Monday, December 08, 2008


Também ainda há nomes comuns em lugares próprios. Laranja nos céus em razão de ouro, termas estelares de temperatura e cor.

Friday, December 05, 2008

Comprei um pinheiro verde, de raiz. Que se põe na terra e é para regar todos os dias como o natal.
Não se imagina o contentamento das duas miúdas. Diz a pequena - posso dar-lhe um nome?
Mas é claro, sorri.
Pode ser nostrum?

Wednesday, November 26, 2008



Sei pai, que nasceste no Algarve, mas sempre me disseste que querias morrer no Alentejo, sozinho com um cão. Morreste aqui, comigo ao lado.
Sei, não, não sei, se aí há palavras, espero que não, quem descansaria?
Mas canto, canto talvez aí chegue, a música não é daqui.
Um abraço, parabéns pelos teus setenta anos.

Sunday, November 16, 2008

José correu, correu, entrou na casa, atravessou o pátio aos saltos para evitar pisar as toalhas e as vitualhas dispostas no chão e nas mesas baixinhas, chamou, Mãe, mãe, o que nos salva é termos cada um a nossa voz,

in 'O Evangelho segundo Jesus Cristo'

Parabéns José Saramago!

Tuesday, November 11, 2008

Sunday, November 02, 2008


A sobrinha pequenina faz um mês.




Os dedos pousados ainda são tão leves.

Monday, October 27, 2008

Há mil segredos,
A murmurar...
E altas canções,
Vindas no fresco Zéfiro do mar....

in Senhora da Noite, Teixeira de Pascoaes


À Chloris (Reynaldo Hahn)





Descobri-a há uns meses, aqui, através da blogosfera.
Aos meus ouvidos, é extraordinariamente bela. Sendo imitação ou homenagem ao período barroco, não deixa de ser um surpreendente fresco.



Friday, October 24, 2008

Parece mais fácil animare em deus e desanimar nos homens, já que tantas vezes a sua plasticidade mimética os transforma em seguidores de consciência alheia. Que difícil, é acreditar nos homens, que importante é fazê-lo. Deus não precisa.
Animo-me com este cinema desenhado pelas linhas das danças eslavas, a nº7, op.46, de Dvorak. De Bruno Bozzetto, uma caricatura do comportamento humano - a galinha da vizinha não será melhor que a minha - seguidismo ma non troppo.

Friday, October 17, 2008




Não há quem não saiba que não é uma soma de grandezas físicas, mesmo que estas se pudessem medir com exactidão.
Que não é porção misturada, que não é replicação transcrição e tradução de informação, que não é banco de dados de experiências dentro de conhecimento a priori.
Não há ser que não saiba que não sabe o que é.
O que é o homem da mão e da voz.

Wednesday, October 15, 2008

30 anos

Le Bon Dieu

Toi
Toi si tu étais le Bon Dieu
Tu ferais valser les vieux
Aux étoiles
Toi
Toi si tu étais le Bon Dieu
Tu allumerais des bals
Pour les gueux

Toi
Toi si tu étais le Bon Dieu
Tu ne serais pas économe
De ciel bleu
Mais
Tu n'es pas le Bon Dieu
Toi tu es beaucoup mieux
Tu es un homme

Tu es un homme
Tu es un homme.


Sunday, October 12, 2008

Não sei se por ser Domingo, se por ter acordado hoje com tanta chuva, se por se porque, apeteceu-me pôr aqui esta espécie de mantra.


Discover Gavin Bryars!


Ouvi isto uma primeira vez à entrada do Cabo da Roca, “Donde a Terra se acaba e o mar começa”. Assim, com aquela imensidão de mar muito maior que a orquestra, e por isso, com esta voz muitíssimo mais só.
Em casa, depois, pude perceber que se tratava de uma gravação recolhida à voz de um sem abrigo numa das ruas de Londres.

Parece o outro lado da história da menina dos fósforos. Cada mantra, cada frase repetida, é como um fósforo que a menina acende.
O velho sem abrigo também morreu na rua, sem ter chegado a ouvir a gravação e a remistura.

Friday, October 10, 2008

Estive anteontem no Teatro da Comuna a assistir à 'reestréia' da peça "Em Chamas", escrita por Charlotte Jones.

O texto entretece urdiduras poéticas verticais, a teia da tela, com o fio da trama em linhas de riso de bergson - “anestesia momentânea do coração”.
As frases sucedem-se com picos de grave ao agudo, sem respiração. Oscilam com a palavra e o palavrão, com a introspecção e a insignificância mordente. Agilidade é o que se pede aos actores. Na minha opinião conseguiram dizê-las sem que se ouvissem as mudanças de registo. Cabia aos espectadores escolher um registo, ou, o que me parece que foi conseguido, ouvir em estereofonia. Escrita ágil, sim, foi o que me pareceu. Quanto à grande forma, não me pareceu tão bem conseguida, muito mais frágil. As ligações entre épocas e personagens pouco consistentes, uma espécie de truque de dramaturgia, truque e não magia.
A tonalidade lembrou-me a da casa de Bernarda Alba, a dominante, o filme Agnes de Deus.

Informações aqui

Sunday, October 05, 2008

Nasceu-me mais uma sobrinha. É um ramo de algodão folheada a nácar.

Ponho aqui a voz do padrinho. Dizem que um alentejano nunca canta só, não imaginariam que viesse a cantar fado.


Discover Antonio Zambujo!


Bem-vinda menina rama, que fortaleças com madrepérola

Wednesday, October 01, 2008

Monday, September 29, 2008

"Non ho mai registrato perché non ho trovato nessuno in grado di farlo. Sono foto di una realtà che non può essere fotografata."

Celibidache


Friday, September 19, 2008

"Mãe, conta-me a história do Zé Aramago, do cão que bebia as lágrimas"
Pediu-me a filha mais nova enquanto ouvíamos na rádio, no carro, uma entrevista a José Saramago. À pergunta - como gostaria de ser lembrado? - Respondeu que como quem escreveu a cena da mulher do médico sentada com um cão que lhe bebe as lágrimas. Referia-se ao ensaio sobre a cegueira e acrescentou que assim como aquela mulher tentou salvar aquele grupo e se sente impotente, o cão se sente impotente com a sua tristeza e lhe bebe as lágrimas.
O Zé Aramago, José Saramago, a humanidade, a mulher e o cão; o Nobel está agora n"a página infinita de internet"

Monday, September 08, 2008

Da área ao volume, do quadrado ao cubo

Cubismo
Na forma facetada Braque, na fragmentada Stravinsky, estilhaçada Picasso.
Volumes decompondo planos.


"Quatre tendances se sont maintenant manifestées dans le cubisme tel que je l’ai écartelé. Dont, deux tendances parallèles et pures.
Le cubisme scientifique est l’une de ces tendances pures. C’est l’art de peindre des ensembles nouveaux avec des éléments empruntés, non à la réalité de vision, mais à la réalité de connaissance. Tout homme a le sentiment de cette réalité intérieure. Il n’est pas besoin d’être un homme cultivé pour concevoir, par exemple, une forme ronde. L’aspect géométrique qui a frappé si vivement ceux qui ont vu les premières toiles scientifiques venait de ce que la réalité essentielle y était rendue avec une grande pureté et que l’accident visuel et anecdotique en avait été éliminé.
Les peintres qui ressortissent à cet art sont : Picasso, dont l’art lumineux appartient encore à l’autre tendance pure du cubisme, Georges Braque, Metzinger, Albert Gleizes, Mlle Laurencin et Juan Gris.
Le cubisme physique, qui est l’art de peindre des ensembles nouveaux avec des éléments empruntés pour la plupart à la réalité de vision. Cet art ressortit cependant au cubisme par la discipline constructive. Il a un grand avenir comme peinture d’histoire. Son rôle social est bien marqué, mais ce n’est pas un art pur. On y confond le sujet avec les images.
Le peintre physicien qui a créé cette tendance est Le Fauconnier.
Le cubisme orphique est l’autre grande tendance de la peinture moderne. C’est l’art de peindre des ensembles nouveaux avec des éléments empruntés non à la réalité visuelle, mais entièrement créés par l’artiste et doués par lui d’une puissante réalité. Les œuvres des artistes orphiques doivent présenter simultanément un agrément esthétique pur, une construction qui tombe sous les sens et une signification sublime, c’est-à-dire le sujet. C’est de l’art pur.
La lumière des œuvres de Picasso contient cet art qu’invente de son côté Robert Delaunay et où s’efforcent aussi Fernand Léger, Francis Picabia et Marcel Duchamp.
Le cubisme instinctif, art de peindre des ensembles nouveaux empruntés non à la réalité visuelle, mais à celle que suggèrent à l’artiste, l’instinct et l’intuition, tend depuis longtemps à l’orphisme. Il manque aux artistes instinctifs la lucidité et une croyance artistique ; le cubisme instinctif comprend un très grand nombre d’artistes.
Issu de l’impressionnisme français ce mouvement s’étend maintenant sur toute l’Europe."

Apollinaire, les Peintres cubistes
Aquarelliste

À Mademoiselle Yvonne M...

Yvonne sérieuse au visage pâlot
A pris du papier blanc et des couleurs à l'eau
Puis rempli ses godets d'eau claire à la cuisine.
Yvonnette aujourd'hui veut peindre. Elle imagine
De quoi serait capable un peintre de sept ans.
Ferait-elle un portrait ? Il faudrait trop de temps
Et puis la ressemblance est un point difficile
À saisir, il vaut mieux peindre de l'immobile
Et parmi l'immobile inclus dans sa raison
Yvonnette a fait choix d'une belle maison
Et la peint toute une heure en enfant douce et sage.
Derrière la maison s'étend un paysage
Paisible comme un front pensif d'enfant heureux,
Un paysage vert avec des monts ocreux.
Or plus haut que le toit d'un rouge de blessure
Monte un ciel de cinabre où nul jour ne s'azure.
Quand j'étais tout petit aux cheveux longs rêvant,
Quand je stellais le ciel de mes ballons d'enfant,
Je peignais comme toi, ma mignonne Yvonnette,
Des paysages verts avec la maisonnette,
Mais au lieu d'un ciel triste et jamais azuré
J'ai peint toujours le ciel très bleu comme le vrai.

Guillaume Apollinaire (1880 - 1918)