"Meta cada um a mão na consciência e diga o que lá encontrou"
(exorta José Saramago no seu blogue)
Eu diria que lá, não encontraria nada. Onde foi a consciência, a consciência colectiva? Onde foram os memes menos egoístas que os genes? Onde pararam esses campos mórficos de solidariedade, fraternidade, reciprocidade?
Nos campos colectivos tarde ou cedo levamos na tromba, concentramo-nos então nos genes, egoístas. No salve-se a nossa espécie de genes, defendamos a nossa pele.
E quem quer levar, não na tromba, mas na consciência? Vai vazia.
(Como se vê, para quem escreveu não há muito tempo que importante é acreditar nos homens, a minha consciência vai mal, vazia)
Saturday, January 17, 2009
Tuesday, January 13, 2009
As estantes de música não têm prateleiras. Um bordo uma margem, para que não caiam as partituras.
Khachaturian, assim como Prokofiev e Shostakovich, foram acusados (em 1948) pelo regime soviético, de formalismo, de formalistas. Que o formalismo era antinacionalista, que os formalistas apagavam a expressão da emoção do povo.
Essa confusa distinção bifurcada entre nacionalismo e formalismo já aqui havia sido notada por Lopes-Graça na década de 30 (1934)
Lembro as palavras, escritas numa publicação periódica da altura (julgo que na "República") republicada depois em livro - " A caça aos coelhos e outros escritos polémicos".
"Segundo o conspícuo autor do Rouxinol cativo, existem duas correntes bem demarcadas no campo da estética musical, tanto no estrangeiro como em Portugal: o «nacionalismo» e o «formalismo», este preconizado no ensino oficial, aquele defendido por «actividades extra-oficiais». Os «formalistas» são os homens da música pura, isto é: «a música fora do tempo e do lugar...construída geometricamente...sem literaturas, sem paisagem...em que não existem estados de alma, mas somente obediências às leis de certas e determinadas lógicas formais»; os «formalistas» são, em suma, «os amigos da Sonata», para quem a «forma» é «tudo». Os «nacionalistas», pelo contrário, «pretendem dar à música o sentido do lugar, do tempo e da vida» (sic); para estes, a música não é um fim, mas antes um meio: eles «servem-se do som musical para exprimirem estados de alma comuns à raça, fixando o colorido especial das paisagens.»
(…)
Basta, que é demais.
Os leitores já viram, certamente, o caótico, o disparatado, o absurdo, o burlesco de tudo isto.
(…)
O menos culto estudantinho do 6º ano do Liceu sabe, porque isto é elementar, que, em Estética, o que se opõe ao Formalismo não é o Nacionalismo, mas sim o Conteudismo; e que o contrário do Nacionalismo não é Formalismo, mas…Universalismo. Que Formalismo e Conteudismo dizem respeito à estrutura íntima, ao processus ideativo da obra de arte; ao passo que Universalismo e Nacionalismo se referem ao seu carácter externo, ao seu successus representativo. Que, portanto, pode haver - e há, de feito - obras de estrutura formal e carácter nacional, e obras de estrutura conteudista e carácter universalista. Pelo que o Formalismo não é, de maneira alguma, adstrito ao Universalismo, assim como o Conteudismo não é pertença exclusiva do Nacionalismo.
(….)
Conteudismo e Formalismo não se excluem, não se repelem mutuamente, pois que não é fácil conceber um conteúdo sem um esboço de forma, assim como não existe, decerto, uma forma sem um mínimo de conteúdo. O que há é obras que partem da forma para o conteúdo, isto é: em que este se subordina àquela; e obras que partem do conteúdo para a forma, isto é: em que aquele determina esta.”
Khachaturian, assim como Prokofiev e Shostakovich, foram acusados (em 1948) pelo regime soviético, de formalismo, de formalistas. Que o formalismo era antinacionalista, que os formalistas apagavam a expressão da emoção do povo.
Essa confusa distinção bifurcada entre nacionalismo e formalismo já aqui havia sido notada por Lopes-Graça na década de 30 (1934)
Lembro as palavras, escritas numa publicação periódica da altura (julgo que na "República") republicada depois em livro - " A caça aos coelhos e outros escritos polémicos".
"Segundo o conspícuo autor do Rouxinol cativo, existem duas correntes bem demarcadas no campo da estética musical, tanto no estrangeiro como em Portugal: o «nacionalismo» e o «formalismo», este preconizado no ensino oficial, aquele defendido por «actividades extra-oficiais». Os «formalistas» são os homens da música pura, isto é: «a música fora do tempo e do lugar...construída geometricamente...sem literaturas, sem paisagem...em que não existem estados de alma, mas somente obediências às leis de certas e determinadas lógicas formais»; os «formalistas» são, em suma, «os amigos da Sonata», para quem a «forma» é «tudo». Os «nacionalistas», pelo contrário, «pretendem dar à música o sentido do lugar, do tempo e da vida» (sic); para estes, a música não é um fim, mas antes um meio: eles «servem-se do som musical para exprimirem estados de alma comuns à raça, fixando o colorido especial das paisagens.»
(…)
Basta, que é demais.
Os leitores já viram, certamente, o caótico, o disparatado, o absurdo, o burlesco de tudo isto.
(…)
O menos culto estudantinho do 6º ano do Liceu sabe, porque isto é elementar, que, em Estética, o que se opõe ao Formalismo não é o Nacionalismo, mas sim o Conteudismo; e que o contrário do Nacionalismo não é Formalismo, mas…Universalismo. Que Formalismo e Conteudismo dizem respeito à estrutura íntima, ao processus ideativo da obra de arte; ao passo que Universalismo e Nacionalismo se referem ao seu carácter externo, ao seu successus representativo. Que, portanto, pode haver - e há, de feito - obras de estrutura formal e carácter nacional, e obras de estrutura conteudista e carácter universalista. Pelo que o Formalismo não é, de maneira alguma, adstrito ao Universalismo, assim como o Conteudismo não é pertença exclusiva do Nacionalismo.
(….)
Conteudismo e Formalismo não se excluem, não se repelem mutuamente, pois que não é fácil conceber um conteúdo sem um esboço de forma, assim como não existe, decerto, uma forma sem um mínimo de conteúdo. O que há é obras que partem da forma para o conteúdo, isto é: em que este se subordina àquela; e obras que partem do conteúdo para a forma, isto é: em que aquele determina esta.”
Sunday, January 11, 2009
Monday, January 05, 2009
O Bloqueio
"Um processamento inteligente de informação deve emergir no universo e, quando este vier a existir, nunca deve cessar"
Princípio antrópico teleológico
(1982/ Frank Tipler)
Na Terra preside um processamento de inteligência de informação que tem como regulador de ordem o ser humano. A nós, atribuímos juízo - percepção, apreensão, aprendizagem, adaptação, decisão, correcção.
Se o juízo tivesse emergido na Terra, a guerra não ganharia pontos com o medo, a impotência, a dor o desespero e a morte.
Que se ganhassem pontos de guerra lutando pelo bem-estar da outra facção; que se ganhasse informação inteligente nos códigos de outros grupos.
O que nos faz inteligentes? Diferimos dos alfas na luta pelo domínio?
A nossa inteligência revela-se artificial e sem capacidade de reprogramação.
Princípio antrópico teleológico
(1982/ Frank Tipler)
Na Terra preside um processamento de inteligência de informação que tem como regulador de ordem o ser humano. A nós, atribuímos juízo - percepção, apreensão, aprendizagem, adaptação, decisão, correcção.
Se o juízo tivesse emergido na Terra, a guerra não ganharia pontos com o medo, a impotência, a dor o desespero e a morte.
Que se ganhassem pontos de guerra lutando pelo bem-estar da outra facção; que se ganhasse informação inteligente nos códigos de outros grupos.
O que nos faz inteligentes? Diferimos dos alfas na luta pelo domínio?
A nossa inteligência revela-se artificial e sem capacidade de reprogramação.
Friday, January 02, 2009
Ontem, no primeiro dia do ano, fui a Sintra e estava a serra cerrada a sete nevoeiros. São Pedro de Sintra, São Pedro na Ribeira, São Pedro em Galamares, em Colares, em Almoçageme, na Praia das Maçãs. Sintra tem mais estações, nenhuma é seca.
«Diz-se que todo o estrangeiro poderá encontrar em Sintra um pedaço da sua pátria. Eu descobri aí a Dinamarca. Mas julguei reencontrar muitos pedaços queridos de outras belas terras...». Disse Christian Andersen.
Pois ontem, e porque Sintra transpira, encontrei a estepe de Tchekhov.
"Deslizam sobre as planícies largas sombras, como nuvens no céu, e, na inverosímil lonjura, se se olha muito tempo para elas, elevam-se imagens vaporosas e fantásticas que se acumulam umas sobre as outras...
Caminha-se uma hora, duas horas... Encontra-se um velho e misterioso túmulo, ou uma estátua de pedra posta ali, Deus sabe quando e por quem; uma ave nocturna voa silenciosamente por cima da terra e, pouco a pouco, as lendas das estepes, as narrativas daqueles que por ali passam, os contos das velhas amas oriundas das estepes e tudo aquilo que aprendemos por nós próprios e entesouramos na alma, nos vem à cabeça. E então o zumbir dos insectos, as figuras suspeitas e os túmulos, o azul do céu, o luar, o voo duma ave nocturna, tudo quanto se vê e ouve, começa a parecer-nos o triunfo da beleza"
«Diz-se que todo o estrangeiro poderá encontrar em Sintra um pedaço da sua pátria. Eu descobri aí a Dinamarca. Mas julguei reencontrar muitos pedaços queridos de outras belas terras...». Disse Christian Andersen.
Pois ontem, e porque Sintra transpira, encontrei a estepe de Tchekhov.
"Deslizam sobre as planícies largas sombras, como nuvens no céu, e, na inverosímil lonjura, se se olha muito tempo para elas, elevam-se imagens vaporosas e fantásticas que se acumulam umas sobre as outras...
Caminha-se uma hora, duas horas... Encontra-se um velho e misterioso túmulo, ou uma estátua de pedra posta ali, Deus sabe quando e por quem; uma ave nocturna voa silenciosamente por cima da terra e, pouco a pouco, as lendas das estepes, as narrativas daqueles que por ali passam, os contos das velhas amas oriundas das estepes e tudo aquilo que aprendemos por nós próprios e entesouramos na alma, nos vem à cabeça. E então o zumbir dos insectos, as figuras suspeitas e os túmulos, o azul do céu, o luar, o voo duma ave nocturna, tudo quanto se vê e ouve, começa a parecer-nos o triunfo da beleza"
Wednesday, December 31, 2008
Monday, December 29, 2008
hipocampo e amígdala
A amígdala, um laboratório onde se memoriza emoção; o hipocampo, um laboratório onde se aprende memória. Elipse de confiança, um gráfico para interpretar resultados em programas interlaboratoriais.
Wednesday, December 24, 2008
Monday, December 22, 2008
Wednesday, December 17, 2008
Olhe-se e veja-se, o blogue contraiu. Não será variação térmica, menos provável será ter encurtado as fibras musculares. Não fui eu que o encolhi, e se o fiz foi involuntário. Curioso, entrou em contracção e não faço a menor ideia se isto continua a encolher até um colapso, ou até que a Alice pare de crescer.
Monday, December 15, 2008
Wednesday, December 10, 2008
"A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos humanos como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.
Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. "
Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. "
Monday, December 08, 2008
Friday, December 05, 2008
Wednesday, November 26, 2008
Sei pai, que nasceste no Algarve, mas sempre me disseste que querias morrer no Alentejo, sozinho com um cão. Morreste aqui, comigo ao lado.
Sei, não, não sei, se aí há palavras, espero que não, quem descansaria?
Mas canto, canto talvez aí chegue, a música não é daqui.
Um abraço, parabéns pelos teus setenta anos.
Sunday, November 16, 2008
Tuesday, November 11, 2008
Monday, October 27, 2008
Há mil segredos,
A murmurar...
E altas canções,
Vindas no fresco Zéfiro do mar....
in Senhora da Noite, Teixeira de Pascoaes
À Chloris (Reynaldo Hahn)
Descobri-a há uns meses, aqui, através da blogosfera.
Aos meus ouvidos, é extraordinariamente bela. Sendo imitação ou homenagem ao período barroco, não deixa de ser um surpreendente fresco.
A murmurar...
E altas canções,
Vindas no fresco Zéfiro do mar....
in Senhora da Noite, Teixeira de Pascoaes
À Chloris (Reynaldo Hahn)
Descobri-a há uns meses, aqui, através da blogosfera.
Aos meus ouvidos, é extraordinariamente bela. Sendo imitação ou homenagem ao período barroco, não deixa de ser um surpreendente fresco.
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