Sunday, December 04, 2011


  «  Hoje não me contenho e encho-me de orgulho de trabalhar onde trabalho. Termos acreditado, termos tido o discernimento de voltar as buscas mais a Norte e ver que seis pessoas foram salvas assim, fez-nos a todos no MRCC sentir uma felicidade justa.»

             Ricardo Guerreiro

   Também não me contenho.  Parabéns à equipa! Enche-me de orgulho - o mano :)

Tuesday, November 22, 2011

Tuesday, November 15, 2011

Thursday, October 27, 2011

At a Solemn Musick



Let the musicians begin,


Let every instrument awaken and instruct us

In love’s willing river and love’s dear discipline:

We wait, silent, in consent and in the penance

Of patience, awaiting the serene exaltation

Which is the liberation and conclusion of expiation.





Now may the chief musician say:

“Lust and emulation have dwelt amoung us

Like barbarous kings: have conquered us:

Have inhabited our hearts: devoured and ravished

—With the savage greed and avarice of fire—

The substance of pity and compassion.”





Now may all the players play:

“The river of the morning, the morning of the river

Flow out of the splendor of the tenderness of surrender.”

Now may the chief musician say:

“Nothing is more important than summer.”





And now the entire choir shall chant:

“How often the astonished heart,

Beholding the laurel,

Remembers the dead,

And the enchanted absolute,

Snow’s kingdom, sleep’s dominion.”





Then shall the chief musician declare:

“The phoenix is the meaning of the fruit,

Until the dream is knowledge and knowledge is a dream.”





And then, once again, the entire choir shall cry, in passionate unity,

Singing and celebrating love and love’s victory,

Ascending and descending the heights of assent, climbing and chanting triumphantly:

Before the morning was, you were:

Before the snow shone,

And the light sang, and the stone,

Abiding, rode the fullness or endured the emptiness,

You were: you were alone.




Delmore Schwartz
















Friday, August 26, 2011


A chocar novo espectáculo

Wednesday, August 24, 2011





"Yo he procurado rescatar del olvido un horror subalterno: la vasta Biblioteca contradictoria, cuyos desiertos verticales de libros corren el encesante albur de cambiarse en otros y que todo lo afirman, lo niegan y lo confunden como una divinidad que delira"
Jorge L. Borges

Wednesday, July 20, 2011

Tuesday, May 31, 2011

Um projecto de amigos; divulgo-o

Saturday, May 14, 2011

Arte poética

Vai, poema, procura
a voz literal
que desocultamente fala
sob tanta literatura.
Se a escutares, porém, tapa os ouvidos,
porque pela primeira vez estás sozinho.
Regressa então, se puderes, pelo caminho
das interpretações e dos sentidos.
Mas não olhes para trás, não olhes para
trás,
ou jamais te perderás;
e teu canto, insensato, será feito
só de melancolia e de despeito.
E de discórdia. E todavia
sob tanto passado insepulto
o que encontraste senão tumulto,
senão de novo ressentimento e ironia?

Manuel António Pina
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Friday, May 06, 2011

(Luis Pignatelli In "Obra Poética")

Sunday, May 01, 2011

1º de Maio 1974

O dia era claro.
Andámos muito; encarrapitaram-me no meio das bandeiras, tento lembrar-me aos ombros de quem, mas não chego lá; naquele tapete de vozes.

Lembro-me da Florinda, que trabalhava na casa da costura e desmaiou pelo caminho.
Sentámo-nos na relva e alguém trouxe água; o dia claro queimava. Disseram-me - é do calor. Achei que não, que era daquele enorme tecido.

É tudo o que retenho, não dei pelo escurecer, devo ter adormecido

Wednesday, April 20, 2011

"Em cascabulhos incrustados nas bermas
do caminho azul, brancos papos de
gaivotas exibem-se aristocraticamente
como fiadas de pérolas nascidas à
borda de água (...)
Móóó!! Olhem lá para a frente!!
A uma centena de metros da bóia-da-
volta, quando uma liça luzidia saltava na
frente da popa, rodámos a cara e
emudecemos: era um clarão de fogo vivo
(...)
Emoção passada e tínhamos à proa um
mar lilás com as pardacentas nuvens que
vagueavam no céu.
Avental de amarelo oleado, remos nos
toledos, um «ilho», emboinada à vasco,
ala um tresmalho pairando em poeira
carminizada (…)
No canal, cabeços de morraça
substituíram, agora, por violáceo, o verde
envelhecido, onde, brancas bocas abertas,
as «cava-terras» ziguezagueiam
sumindo-se pela toca das lamas.
Encadeando, o sol leva-nos a olhar às duas
bateirinhas negras perdidas no
Mar Santo. Tão iguais que diríamos
gémeas.
Numa mudança ociosa, pintalgados nestas
aguarelas, carmins cintilantes
espraiam-se no céu numa convergência
para um rasto fluorescente. Mais umas
remadas e surgem elipses prateadas
enrugando-se com o sopro do vento.
Começou a cair um anoitecer a pejar-se de
estrelas (...)"

(Sem férias nem
fins-de-semana há mais de um ano)
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Sunday, October 03, 2010

"O facto de todas as nossas experiências sensoriais poderem ser organizadas por meio de um processo mental (operações com conceitos, criação e uso das relações funcionais precisas, e coordenação entre as experiências sensoriais e os conceitos) é em si mesmo o que nos infunde respeito, mas que nunca seremos capazes de compreender por completo."

Física e Realidade
Albert Einstein

Friday, October 01, 2010

:) Dia Mundial da Música (:
Do que existe, gosto muito e mais de música

Saturday, September 25, 2010

Sábado é o dia em que tenho folga











O teatro não é nada do que imaginei - é escuro; um guarda-espera dos desenhos da luz

Monday, March 01, 2010

"Se este fosse o momento de aprofundar algum assunto, eu sustentaria, talvez contra a vossa unânime opinião, que a melodia não é o que mais defende Chopin da acção do tempo.
Eu pensava que era a melodia. Mas não - agora não penso assim. Creio que a música de Chopin sobrevive incólume apesar das belíssimas melodias. Sobrevive pela sua formosura, que é palavra vinda de forma e aqui quero que signifique perfeitíssima harmonia formal (...)

A análise técnica minuciosa de uma página de Chopin pode em geral fazer-se com a décima parte das palavras necessárias para uma de Bach, ou de Mozart, ou de Beethoven.
Mas se, em vez de Bach, Mozart ou Beethoven, o termo de comparação fosse Schubert? A conclusão seria outra, não lhe parece?
- Evidentemente. Por isso tenho tido o cuidado de evitar alusões ao Schubert
Em todo o caso, não nos iludamos com a simplicidade de Schubert ou de Chopin. A simplicidade de um artista é sempre complicadíssima (...)

- Sim. Mas já pensou no que será o futuro de Chopin, se a música evoluir no sentido do cerebralismo total? Os duzentos anos do nascimento, os trezentos, os quinhentos, serão comemorados com tamanhos ecos em todo o Mundo? Continuará toda a gente a sentir as suas melodias, a intuir a sua maravilhosa perfeição na forma, como até hoje?"

João de Freitas Branco. Chopin - Um Improviso em Forma de Diálogo

Saturday, February 27, 2010

Sunday, February 07, 2010

Trouxe da biblioteca todos os poemas de Ruy Belo, numa edição da Assírio & Alvim estampada em 2001. São muitos, talvez três centenas, não os contei. (grande parte deles não conhecia, tudo o que tenho lido tem sido através da internet)


MEDITAÇÃO MONTANA

Há aviões às vezes que levantam
aviões que levantam
aviões certas vezes
às vezes uma ave um avião
um avião levanta voo da imaginação
um avião a mais a mesma imaginável imaginação
um aeroporto uma criança a mais sozinha solidão
um quintal o aeroporto mais real
ideias aviões que voam
aviões mais aves do que as aves
aves imitações dos aviões
um ser metálico a mais funda das humanas ambições
a mais humana a maior criação
motor metálico essa crente essa crível criação
crise do homem sua menos frágil mais fremente afirmação
metal mecânico mais quente coração
Há vários aviões que vários vão
que várias vezes vão
Há aviões às vezes que levantam voo
inconcebíveis aviões emersos da imaginação
inconcebíveis e por isso concebíveis
concebíveis na estrita medida em que inconcebíveis
aviões impossíveis mais reais do que os reais
perfeitos pássaros provindos da cessante condição
ó aviões antecessores das aves
palavras vindas de étimos das quais os étimos dimanam
movimento de mãos produtoras das próprias produções
umas mãos que ao mover-se movimentam
criaturas que incríveis criam coisas suas criadoras
aves imitação dos imitados aviões
natureza nascida onde visivelmente nasce a vida
aviões aos quais a ave deve o voo
aviões naturais e aves artificiais
o em princípio mais pelo em princípio menos produzido
o mais o menos
o menos máximo o muito mais
aviões aves vivas que vos levantais
do aeroporto da imaginação
Não fosse o coração muito metálico que muito mais sofria
quem verdadeiramente não podia sofrer mais

Emudece ó amigo deixa os aviões
deixa a imaginação o único aeroporto
regressa à vida que visível mais nos minerais
origina a verdade apenas vista nos jogos verbais
de quem é na imaginação que tem os aeroportos mais internacionais
Oxalá eu este insensível eu sentisse o que decerto sentem
essas coisas sensíveis e sentimentais
que são os impassíveis implacáveis minerais

Friday, January 08, 2010