http://www.sabado.pt//Multimedia/Videos/Vox-Pop/VoxPop--A-ignorancia-dos-nossos-universitarios.aspx?id=411304
Provavelmente o leão :)
Foi a minha filha que hoje me chamou a atenção para este vídeo (no link acima) Não serve para ilustrar quem ignora o que o rodeia ou o que o trouxe até hoje. Não serve para documentar o alheamento da população em relação à comunidade, à sociedade, ao mundo, ao modelo, à política. Não é certamente típico e exclusivo desta faixa etária. A amostra não é representativa e é, como todos os recortes de imagem, manipulada.
O que me saltou à vista (para além de umas boas gargalhadas, e sei que erraria a pergunta: qual a capital dos EUA? Troco sempre:) foi o - "isso não é comigo" -, a desresponsabilização: "Artes não é comigo" "Política não é comigo" "Cinema não é comigo" "Informática não é comigo" "Tudo o que tem a ver com religião não é comigo" "Cultura geral não é comigo". A resposta "passo"
Saturday, April 06, 2013
Friday, April 05, 2013
Thursday, April 04, 2013
Caem tantas enormidades de todo o lado que é difícil acompanhar a derrocada do edifício democrático. Passamos à antiutopia enquanto o diabo esfrega os olhos, incrédulo.
“A Hungria já não é uma Democracia”
“ (…) O ataque foi claro e continuado: restrição da liberdade de imprensa, direcção política do Banco Central, a inclusão na Constituição de referências religiosas cristãs e da "utilidade social" dos indivíduos como condição necessária para a aplicação de direitos sociais, a exclusão da palavra "República" da mesma Constituição para definir o sistema político do país, a condenação da homossexualidade, a criminalização dos sem-abrigo, os ataques contra os direitos das mulheres, a impunidade concedida aos autores de crimes racistas, o fortalecimento de um anti-semitismo virulento...”
artigo completo aqui: http://goo.gl/VT2jg
Aqui: as emendas (ler para crer)
http://www.kormany.hu/en/doc?source=9&year=2013#!DocumentBrowse
http://www.kormany.hu/download/3/90/d0000/20130312%20Fourth%20Amendment%20to%20the%20Fundamental%20Law.pdf#!DocumentBrowse
Outras opiniões: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2013/apr/03/hungary-ignorant-nonsense
Reacções: http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=44545&Cr=Hungary&Cr1#.UVymV6KsiSo
E pergunto-me: O que querem os cidadãos?
Sunday, March 31, 2013
Ressurreição
.
«Volto a cantar, e voltam-me à memória
As rústicas imagens,
Que guardei na retina
De menino:
O repique do sino
Depois das negras horas da Paixão,
E a brejeira
Canção
Que num toco
Já oco
De cerdeira
- Flauta que um pica-pau lhe dera -
A seiva assobiava à Primavera...»
Miguel Torga, Diário, Vol. VIII
Páscoa feliz! E uma canção ribeira (que tanto gosto) - aqui em carcavelos chove que deus dá :)
Wednesday, March 27, 2013
"Não ir ao teatro é como fazer a toilette sem espelho"
Atribui-se esta frase a Schopenhauer (não sei se a fonte é segura, todas estas frases soltas e citadas que encontro são, muitas vezes, água de um longo percurso)
Estive a trabalhar em produção teatral nestes últimos três anos.
A memória que trouxe da palavra “Teatro” é - imagine-se - a canção de lisboa, de Jorge Palma. Ou pelo menos foi o que me ocorreu agora que pensei nisso.
Talvez o refrão...
Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?
Nós sem ti não sabemos, mamã,
Libertar-nos do mal
Talvez esta estrofe:
A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nós também temos mão na vida
Mesmo que seja à custa de a vivermos fingida
O estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de lisboa
Ou mesmo os dois primeiros versos:
Os serões habituais
E as conversas sempre iguais
Neste momento o Teatro parece-me muito mais próximo do conceito do que da ideia*. Provavelmente estou errada, felizmente. Que um dos motivos pelo qual estou muitas vezes calada é o de não acreditar que a minha experiência seja mais acertada ou definitiva que qualquer outra. Sinceramente
*“A Ideia é a unidade que se transforma em pluralidade por meio do espaço e do tempo, formas da nossa percepção intuitiva; o conceito, pelo contrário, é a unidade extraída da pluralidade, por meio da abstracção que é um procedimento do nosso entendimento; o conceito pode ser chamado unitas post rem, a Ideia, unitas ante rem. Indiquemos, finalmente, uma comparação que exprime bem a diferença entre conceito e Ideia: o conceito assemelha-se a um recipiente inanimado; aquilo que lá se deposita permanece bem colocado na mesma ordem, mas não se pode tirar de lá (através dos juízos analíticos) nada mais do que aquilo que lá se colocou (através da reflexão sintética); a Ideia, pelo contrário, revela àquele que a concebeu representações completamente novas do ponto de vista do conceito de mesmo nome: ela é como um organismo vivo, que cresce e é prolífico, capaz, numa palavra, de produzir aquilo que não se introduziu lá.”
O mundo como vontade e representação, de Schopenhauer (tradução portuguesa de M. F. Sá Correia)
Sunday, March 24, 2013
"Uma espécie de música"
[Esta terra de sol esta terra ainda/ é bem ela esta terra inocente/ este corpo há que deixá-lo ser água/ não é fácil separá-lo da luz/ quase nua esta terra ainda minha]
"(...) no primeiro verso sobe-se da nota grave, digamos de terra ao agudo de sol, para se voltar ao grave inicial; no segundo verso insiste-se no mesmo grave para subir ao agudo inocente (talvez menos agudo, e talvez em surdina, se comparado com sol), no terceiro verso passa-se a corpo, menos grave que terra, e ascende-se a um mais agudo água, nitidamente menos agudo no entanto do que sol (e inocente); o quarto verso efectua nova elevação, a luz que não me arrisco a graduar relativamente a sol (o vocalismo sugere um agudo menor); a nota final, no quinto verso, é o grave recorrente do trecho, que nua modula em sentido ainda mais grave (digamos que como um bemol), e a que depois o possessivo minha, pelo contrário, modula ligeiramente no sentido do agudo (digamos que como um sustenido). Esta proposta de leitura melódica do imaginário em poesia talvez possa sugerir uma pesquisa, de tipo electroencefalográfico por exemplo, assim como a melodia fonética, muito complexamente harmonizada, se pode seguir num espectograma."
Uma espécie de música. Dois movimentos de metáfora em Eugénio de Andrade
Óscar Lopes
Tuesday, March 19, 2013
“Meu pai tinha sandálias de vento
só agora o sei.
(...)
e no entanto víamo-lo sempre
ali plantado de imobilidade absorta
(...)
Meu pai era um homem com as nostalgias
do que nunca acontecera e isso minava-o víscera a
[víscera
como as tais lagartas esfarelam as maçãs
e então sei-o agora calçava as ágeis sandálias
miraculosamente leves soltas imaginosas
indo de acaso em acaso de astro em astro
eram de vento as suas sandálias fabulosas
levando-o aonde mais ninguém poderia chegar (...)
Fernando Namora, 'Nome Para Uma Casa'
Meu pai não tinha sandálias de vento
Visitava-o toda a Terra enquanto ele ria para os céus
Recebia tudo o que acontecera num enorme lugar que tinha dentro do peito; do tudo, não muito, saía algum antes de escurecer, outro mais, acabava por pernoitar e a grande parte, prolongava a estadia.
Tinha tanto lá dentro, onde todos podiam chegar
Friday, March 15, 2013
Wednesday, March 13, 2013
"Exageros"
Procura-se pessoa idónea com disponibilidade total, que possa coser as bainhas do mar, impedindo as ondas de rebentar na costa.
- É essencial ter experiência em bordado livre (os fios não são contáveis)
- Pede-se conhecimentos em ponto nó, fios estendidos, de contorno, laçada e cobertura em teia de aranha (para prender as bainhas abertas)
- Obriga-se o uso de bastidor para manter o trabalho esticado e liso
Contrato sem termo; mal remunerado
É quase isto que leio no site da net-empregos.
Que sistema é este em que, cada vez mais, se pede força de trabalho infinita a troco de impossibilidade de subsistência?
Saturday, March 09, 2013
Thursday, March 07, 2013
Tuesday, September 18, 2012
Saturday, September 15, 2012
«E farei um rápido quadro da nossa visão do futuro...
Anuncia o que vês...
«Vejo: a extensão monstruosa das potências do dinheiro; todas as mais legítimas reivindicações esmagadas e mantidas sob a sua tirania...
«Vejo a comoção da massa laboriosa, cujo crescente tumultuo não é senão mal dissimulado por esta parada ruidosa dos partidos políticos, que, até aqui, conseguiu só captar a atenção...
«Vejo o avanço regular duma maioria humana, brutal, inculta, embriagada de ilusões, esfomeada de segurança e de felicidade material, contra uma minoria cega, poderosa ainda pela força das coisas estabelecidas, mas cuja relativa estabilidade não repousa, de facto, senão sobre o regime capitalista.
O drama de João Barois. Roger Martin du Gard
Sunday, September 02, 2012
Morreu Emmanuel Nunes?
Gostaria tanto de o ter conhecido. Uma coisa sei, vi nos olhos de quem morre, há qualquer coisa de muito familiar nesse encontro com o fim - um relâmpago de reconhecimento e surpresa.
Gostaria tanto de o ter conhecido. Uma coisa sei, vi nos olhos de quem morre, há qualquer coisa de muito familiar nesse encontro com o fim - um relâmpago de reconhecimento e surpresa.
Thursday, August 23, 2012
"Voltemos à música. Os sons não têm uma significação que possa ordená-los; o seu agrupamento é uma operação espontânea da própria sensibilidade do músico. A sua notação abstracta sobre as folhas da partitura não nos transmite a significação dos sons, mas simplesmente a sua ordenação, matematicamente fixada na sua duração e na sua intensidade (...)
Assim, o músico cria um tempo fictício, contido, sem dúvida, no tempo normal, mas esteticamente independente dele; e tem o poder quase miraculoso de fixar definitivamente essa criação, esse tempo fictício. De maneira que, durante a duração da sua música, o músico obriga-nos a medir e a sentir o tempo segundo a duração dos seus próprios sentimentos: coloca-nos num tempo verdadeiro, porque é duração, e no entanto fictício. A realidade estética da música é, por isso, superior à de todas as artes; ela só é uma criação imediata da nossa alma.
Objectar-me-ão que a sua execução constitui um elemento intermediário entre ela e nós. - Não. A execução correcta de uma partitura é para a música o que é para um fresco, por exemplo, o lugar e a iluminação adequados. A música representa o tempo sem outro intermediário que não seja ela própria; é isso a sua existência formal, em especial para a arte dramática"
«Quando a música atinge o seu mais nobre poder, torna-se forma no espaço»
Friedrich Schiller
(...)
"E se, como para as outras obras de arte, a obra dramática é o resultado da modificação das relações (ver atrás a citação de Taine*) o que é incontestável, resta-nos encontrar em nós próprios o elemento modificador. Em nós próprios porque, fora disso, apresentar-se-ia preparado para fins estranhos à vida do nosso corpo. Vimos, precisamente, que é a nossa vida afectiva, interior, que dá aos nossos movimentos a sua duração e o seu carácter; sabemos também, que a música exprime essa vida de uma maneira, para nós, indubitável e que modifica profundamente essas durações e esse carácter. Possuímos nela um elemento profundamente emanado de nós próprios e de que aceitámos já e por definição a disciplina.Será, portanto, da música que nascerá a obra de arte viva "
* A obra de arte tem por objectivo manifestar qualquer carácter essencial e saliente, portanto qualquer ideia importante, mais claramente e mais completamente do que o fazem os objectos reais. Consegue-o empregando um conjunto de partes ligadas cujas relações ela modifica sistemáticamente
Adolphe Appia
A obra de arte viva
Tuesday, August 14, 2012
Sergiu Celibidache (28 June 1912 – 14 August 1996)
Não seria fácil para mim eleger uma obra, uma época. Não saberia preferir um compositor, um instrumento, uma escala ou um som. Mas admiro, acima de muitos, este maestro. A forma como estende o volume e multiplica o relevo. Como põe a descoberto inteiras cordilheiras submersas. Como lhes confere distâncias sem intervalo
Tuesday, August 07, 2012
Desço a Rua Augusta à hora em que o homem estátua dourado conta as moedas que juntou; hoje contava cento e quarenta e uma, quando passei
Que bom é desembocar depois das ruas, no arco. O espaço, que falta faz a Lisboa. Ou a sensação virá do som da hora? Em que o homem dourado, já lá atrás, conta as moedas
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