Monday, April 15, 2013

Está na cartilha :

"We shall never, probably, disentangle the inextricable web of affinities between the members of any one class; but when we have a distinct object in view, and do not look to some unknown plan of creation, we may hope to make sure but slow progress."

Wednesday, April 10, 2013


Podemos lá nós, humanos, fazer valer os nossos direitos sem os despóticos. Se não tolerámos a tirania em exercício directo, havemos de ter que tolerar o poderio financeiro - porque o ser humano, sem dono, é da pior espécie...
Por exemplo: se eu amanhã já só tiver uma pedra para pôr na sopa, é expectável que assalte o vizinho mais próximo com gritos de destruição massiva e cânticos de guerra.

[Adenda]

É expectável... para quem lê a espécie como éramos há quase três milhões de anos (na idade da bruta pedra). Parodiei desconstruindo o medo. A pedra seria de toque, dois traços de carácter - egoísmo e solidariedade
Gritos e cânticos não são armas de destruição - essas estão nas mãos dos donos;  nunca, nunca vou acreditar que precisamos de donos. 

Monday, April 08, 2013


Poema de agradecimento à corja

Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar

de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.

Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.

Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.

Obrigada por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.

E pelo vosso vergonhoso descaramento.

Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.

E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

Saturday, April 06, 2013


Alívio momentâneo....
“São as leis que se têm de conformar à Constituição e não a Constituição a qualquer lei”
Joaquim Sousa Ribeiro. 

Mas eis que chega o plano B...

"O deputado do PSD e antigo juiz do Tribunal Constitucional diz que o Governo não tem outra alternativa senão fazer um corte generalizado de parte do subsídio de férias ao sector público, pensionistas e privados, para poder cobrir o buraco que resulta da decisão do Tribunal Constitucional"  (repare-se como um juiz imputa a responsabilidade do buraco ao Tribunal Constitucional)
Paulo Mota Pinto em declarações à Renascença.
http://www-org.rr.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=79&did=102944

" ... não é comigo"

http://www.sabado.pt//Multimedia/Videos/Vox-Pop/VoxPop--A-ignorancia-dos-nossos-universitarios.aspx?id=411304



Provavelmente o leão :)

Foi a minha filha que hoje me chamou a atenção para este vídeo (no link acima) Não serve para ilustrar quem ignora o que o rodeia ou o que o trouxe até hoje. Não serve para documentar o alheamento da população em relação à comunidade, à sociedade, ao mundo, ao modelo, à política. Não é certamente típico e exclusivo desta faixa etária. A amostra não é representativa e é, como todos os recortes de imagem, manipulada.

O que me saltou à vista (para além de umas boas gargalhadas, e sei que erraria a pergunta: qual a capital dos EUA? Troco sempre:) foi o - "isso não é comigo" -, a desresponsabilização: "Artes não é comigo" "Política não é comigo" "Cinema não é comigo" "Informática não é comigo" "Tudo o que tem a ver com religião não é comigo" "Cultura geral não é comigo". A resposta "passo"


Friday, April 05, 2013

Thursday, April 04, 2013


Caem tantas enormidades de todo o lado que é difícil acompanhar a derrocada do edifício democrático. Passamos à antiutopia enquanto o diabo esfrega os olhos, incrédulo.

“A Hungria já não é uma Democracia”
“ (…) O ataque foi claro e continuado: restrição da liberdade de imprensa, direcção política do Banco Central, a inclusão na Constituição de referências religiosas cristãs e da "utilidade social" dos indivíduos como condição necessária para a aplicação de direitos sociais, a exclusão da palavra "República" da mesma Constituição para definir o sistema político do país, a condenação da homossexualidade, a criminalização dos sem-abrigo, os ataques contra os direitos das mulheres, a impunidade concedida aos autores de crimes racistas, o fortalecimento de um anti-semitismo virulento...”

artigo completo aqui: http://goo.gl/VT2jg

Aqui: as emendas (ler para crer)

http://www.kormany.hu/en/doc?source=9&year=2013#!DocumentBrowse 

http://www.kormany.hu/download/3/90/d0000/20130312%20Fourth%20Amendment%20to%20the%20Fundamental%20Law.pdf#!DocumentBrowse 


Outras opiniões: http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2013/apr/03/hungary-ignorant-nonsense 

Reacções: http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=44545&Cr=Hungary&Cr1#.UVymV6KsiSo

E pergunto-me: O que querem os cidadãos?

Sunday, March 31, 2013

Ressurreição
«Volto a cantar, e voltam-me à memória
As rústicas imagens,
Que guardei na retina
De menino:
O repique do sino
Depois das negras horas da Paixão,
E a brejeira
Canção
Que num toco
Já oco
De cerdeira
- Flauta que um pica-pau lhe dera -
A seiva assobiava à Primavera...»

Miguel Torga, Diário, Vol. VIII


Páscoa feliz! E uma canção ribeira (que tanto gosto) - aqui em carcavelos chove que deus dá :)








Wednesday, March 27, 2013


"Não ir ao teatro é como fazer a toilette sem espelho"
Atribui-se esta frase a Schopenhauer (não sei se a fonte é segura, todas estas frases soltas e citadas que encontro são, muitas vezes, água de um longo percurso)

Estive a trabalhar em produção teatral nestes últimos três anos.
A memória que trouxe da palavra “Teatro” é - imagine-se - a canção de lisboa, de Jorge Palma. Ou pelo menos foi o que me ocorreu agora que pensei nisso.




Talvez o refrão...
Mamã, mamã
Onde estás tu, mamã?
Nós sem ti não sabemos, mamã,
Libertar-nos do mal 

Talvez esta estrofe:
A urgência de agarrar
Qualquer coisa para mostrar
Que afinal nós também temos mão na vida
Mesmo que seja à custa de a vivermos fingida
O estatuto para impressionar o mundo
Não precisa de ser mais profundo
Que o marasmo que nos atordoa
Ó canção de lisboa 

Ou mesmo os dois primeiros versos:
Os serões habituais
E as conversas sempre iguais 

Neste momento o Teatro parece-me muito mais próximo do conceito do que da ideia*. Provavelmente estou errada, felizmente. Que um dos motivos pelo qual estou muitas vezes calada é o de não acreditar que a minha experiência seja mais acertada ou definitiva que qualquer outra. Sinceramente

*“A Ideia é a unidade que se transforma em pluralidade por meio do espaço e do tempo, formas da nossa percepção intuitiva; o conceito, pelo contrário, é a unidade extraída da pluralidade, por meio da abstracção que é um procedimento do nosso entendimento; o conceito pode ser chamado unitas post rem, a Ideia, unitas ante rem. Indiquemos, finalmente, uma comparação que exprime bem a diferença entre conceito e Ideia: o conceito assemelha-se a um recipiente inanimado; aquilo que lá se deposita permanece bem colocado na mesma ordem, mas não se pode tirar de lá (através dos juízos analíticos) nada mais do que aquilo que lá se colocou (através da reflexão sintética); a Ideia, pelo contrário, revela àquele que a concebeu representações completamente novas do ponto de vista do conceito de mesmo nome: ela é como um organismo vivo, que cresce e é prolífico, capaz, numa palavra, de produzir aquilo que não se introduziu lá.”

O mundo como vontade e representação, de Schopenhauer (tradução portuguesa de M. F. Sá Correia)

Sunday, March 24, 2013

"Uma espécie de música"


[Esta terra de sol esta terra ainda/ é bem ela esta terra inocente/ este corpo há que deixá-lo ser água/ não é fácil separá-lo da luz/ quase nua esta terra ainda minha]

"(...) no primeiro verso sobe-se da nota grave, digamos de terra ao agudo de sol, para se voltar ao grave inicial; no segundo verso insiste-se no mesmo grave para subir ao agudo inocente (talvez menos agudo, e talvez em surdina, se comparado com sol), no terceiro verso passa-se a corpo, menos grave que terra, e ascende-se a um mais agudo água, nitidamente menos agudo no entanto do que sol (e inocente); o quarto verso efectua nova elevação, a luz que não me arrisco a graduar relativamente a sol (o vocalismo sugere um agudo menor); a nota final, no quinto verso, é o grave recorrente do trecho, que nua modula em sentido ainda mais grave (digamos que como um bemol), e a que depois o possessivo minha, pelo contrário, modula ligeiramente no sentido do agudo (digamos que como um sustenido). Esta proposta de leitura melódica do imaginário em poesia talvez possa sugerir uma pesquisa, de tipo electroencefalográfico por exemplo, assim como a melodia fonética, muito complexamente harmonizada, se pode seguir num espectograma."

Uma espécie de música. Dois movimentos de metáfora em Eugénio de Andrade
Óscar Lopes

Tuesday, March 19, 2013


“Meu pai tinha sandálias de vento
 só agora o sei.
 (...)
 e no entanto víamo-lo sempre
 ali plantado de imobilidade absorta
 (...)
Meu pai era um homem com as nostalgias
do que nunca acontecera e isso minava-o víscera a
                                                    [víscera
como as tais lagartas esfarelam as maçãs
e então sei-o agora calçava as ágeis sandálias
miraculosamente leves soltas imaginosas
indo de acaso em acaso de astro em astro
eram de vento as suas sandálias fabulosas
levando-o aonde mais ninguém poderia chegar (...)

Fernando Namora,  'Nome Para Uma Casa'









Meu pai não tinha sandálias de vento
Visitava-o toda a Terra enquanto ele ria para os céus
Recebia tudo o que acontecera num enorme lugar que tinha dentro do peito; do tudo, não muito, saía algum antes de escurecer, outro mais, acabava por pernoitar e a grande parte, prolongava a estadia.
Tinha tanto lá dentro, onde todos podiam chegar
     

   

Wednesday, March 13, 2013


                                                                     

                                                                          "Exageros"

Procura-se pessoa idónea com disponibilidade total, que possa coser as bainhas do mar, impedindo as ondas de rebentar na costa.
 - É essencial ter experiência em bordado livre (os fios não são contáveis)
 - Pede-se conhecimentos em ponto nó, fios estendidos, de contorno, laçada e cobertura em teia de aranha (para prender as bainhas abertas)
 - Obriga-se o uso de bastidor para manter o trabalho esticado e liso
Contrato sem termo; mal remunerado


É quase isto que leio no site da net-empregos.
Que sistema é este em que, cada vez mais, se pede força de trabalho infinita a troco de impossibilidade de subsistência?



Saturday, March 09, 2013

Isto de escrever qualquer coisa aqui pode servir para deitar a raiva que se dilata em cada poro; sei que a memória é curta, mas curta como um rastilho

Thursday, March 07, 2013

Tuesday, September 18, 2012

Saturday, September 15, 2012




«E farei um rápido quadro da nossa visão do futuro... 
Anuncia o que vês...
«Vejo: a extensão monstruosa das potências do dinheiro; todas as mais legítimas reivindicações esmagadas e mantidas sob a sua tirania...
«Vejo a comoção da massa laboriosa, cujo crescente tumultuo não é senão mal dissimulado por esta parada ruidosa dos partidos políticos, que, até aqui, conseguiu só captar a atenção...
«Vejo o avanço regular duma maioria humana, brutal, inculta, embriagada de ilusões, esfomeada de segurança e de felicidade material, contra uma minoria cega, poderosa ainda pela força das coisas estabelecidas, mas cuja relativa estabilidade não repousa, de facto, senão sobre o regime capitalista.

O drama de João Barois. Roger Martin du Gard

Sunday, September 02, 2012

Morreu Emmanuel Nunes?
Gostaria tanto de o ter conhecido. Uma coisa sei, vi nos olhos de quem morre, há qualquer coisa de muito familiar nesse encontro com o fim - um relâmpago de reconhecimento e surpresa.